Aldeia Urbana Marçal de Souza · Campo Grande, MS · Brasil
Cultura · Identidade · Autodeterminação
Em homenagem à liderança feminina que lutou pela fundação da primeira aldeia urbana do Brasil, o Instituto protege, valoriza e projeta a cultura indígena respeitando todas as etnias — artesanato ancestral, cerâmica singular e saberes milenares — para o Brasil e para o mundo.
Por trás de cada peça existe alguém. E existe impacto.
Enir da Silva Bezerra (Enir Terena), cacique e fundadora da Aldeia Urbana Marçal de Souza. Fonte: Instituto Cacique Enir Terena
Enir da Silva Bezerra — para todos, Enir Terena — nasceu na Aldeia Limão Verde, em Aquidauana, MS, em 8 de março de 1955. Filha do povo Terena, desde criança já demonstrava vocação para a liderança: destacou-se na escola como organizadora e porta-voz de sua turma, traço que marcaria toda a sua trajetória de vida.
Mãe de sete filhos, em paralelo às responsabilidades familiares compôs ativamente o movimento popular da época, conciliando a vida doméstica com o engajamento político e comunitário. Em 1985 ingressou na Associação Indígena Kaguateca.
Em 9 de junho de 1995 chegou com 20 famílias ao Desbarrancado — que se tornaria a Aldeia Urbana Marçal de Souza, a primeira aldeia indígena em contexto urbano do Brasil. Em agosto de 1999 foi criado o Memorial da Cultura Indígena — conquista direta de sua luta.
Em 2008 foi eleita cacique com 134 dos 277 votos — primeira cacique mulher do MS. Reeleita em 2012. Em 2018 a Lei Municipal 6006/18 renomeou o Memorial com seu nome. Em 22 de agosto de 2025, foi fundado oficialmente o Instituto Cacique Enir Terena.
Concebido, elaborado e liderado integralmente por Terena da Aldeia Marçal de Souza — modelo de protagonismo feminino, propriedade intelectual coletiva e autonomia cultural.
Entre 123 propostas ao Edital Nacional conjunto do MPI e do Ministério das Mulheres, o projeto das artesãs da Aldeia Marçal de Souza foi selecionado para criar a primeira instituição indígena deste tipo no Brasil e proteger a OREKA — a primeira marca coletiva indígena do país.
Em 6 de fevereiro de 2025, o grupo de artesãs assinou convênio histórico com o IFMS por meio do PROFNIT e do NEABI-CG. Por dois anos, o IFMS oferece consultoria de gestão, pesquisas científicas e orientação para novos editais.
O Instituto Cacique Enir Terena é um convite: faça parte deste universo de criatividade, beleza e ancestralidade. Quando você adquire uma peça OREKA, remunera diretamente a artesã, fortalece a autonomia de sua comunidade e contribui para que saberes ancestrais continuem vivos.
Trabalhamos com as artesãs indígenas do Brasil e da América Latina. Com o apoio dos Ministérios dos Povos Indígenas e das Mulheres, IFMS (PROFNIT e NEABI-CG), construímos parcerias sólidas para garantir autonomia econômica e cultural duradoura.
Objetivos estratégicos
Apoiadores e parceiros
Três pilares de uma mesma raiz
A Aldeia Urbana Marçal de Souza
No Bairro Tiradentes de Campo Grande, é a primeira aldeia urbana indígena do Brasil. No coração da aldeia está o Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena — exposição permanente, oficinas de cerâmica, dança, orquestra indígena e ponto de venda do artesanato OREKA.
Fonte: IBGE · Censo Demográfico 2022 · Tabela complementar 25
O Instituto Cacique Enir Terena, em parceria com a VERTTI Consultoria, elaborou toda a estrutura jurídica e de governança da COOPEIMASUL — a Cooperativa Estadual Indígena de Mato Grosso do Sul, que reúne famílias Terena, Kadiwéu e Guarani de sete municípios em torno da agricultura, da pecuária, do agroturismo e do extrativismo sustentável.
O trabalho conjunto produziu os três documentos fundacionais da cooperativa: o Estatuto Social, que organiza os cinco órgãos sociais e assegura que a terra indígena nunca poderá ser propriedade da cooperativa; o Regimento Interno, que detalha as regras práticas de comercialização, uso do parque de máquinas e protocolo de consentimento sobre conhecimento tradicional; e a Cartilha do Cooperado, que traduz todo esse arcabouço jurídico em linguagem simples e acessível para os cooperados e cooperadas.
Cada documento articula a legislação cooperativista brasileira (Lei nº 5.764/1971) com os direitos constitucionais dos povos indígenas (art. 231 da Constituição Federal) e a Convenção nº 169 da OIT, garantindo autonomia econômica sem abrir mão da proteção territorial e cultural.
Uma marca coletiva é registrada no INPI e pertence à coletividade. Apenas artesãs e artesãos certificados pelos Terena podem comercializar sob o selo OREKA.
O que a OREKA protege?
Saber ancestral · Patrimônio vivo
Reconhecida como patrimônio imaterial de MS, a cerâmica Terena é expressão de uma tradição secular: barro avermelhado, grafismo branco, fogo a céu aberto e mãos de mulher. Cada peça é única — nascida do território, ensinada de mãe para filha por gerações.
Fotos da Cerâmica — clique no ADM para adicionar
Conheça os membros que conduzem as ações do Instituto Cacique Enir Terena.
Cada peça carrega o selo OREKA — a primeira marca coletiva indígena do Brasil. Sua compra remunera diretamente a artesã e fortalece a autonomia da comunidade Terena.
Rua da Serra, n.217
Aldeia Marçal de Souza — Bairro Tiradentes
Campo Grande — MS, CEP 79041-011
A mais alta distinção concedida pelo Instituto Cacique Enir Terena. Instituída em homenagem à primeira mulher eleita Cacique no Mato Grosso do Sul, a comenda reconhece pessoas físicas e jurídicas que contribuíram de forma relevante para a defesa, promoção e valorização dos direitos, da cultura e da dignidade dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul e do Brasil.
Legislação indigenista, atos do Instituto e documentos institucionais que fundamentam a atuação do ICET.
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